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sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

QUEM MANDA NA CÂMARA É A OPOSIÇÃO

Composição da Mesa Diretora da Câmara de Vereadores para 2013:  oposição unida predominou sobre o PT.
Presidente: Bastião (PDT), Vice-Presidente: Luiz Carlos (PP), 1.a Secretária: Cledi, 2.o Secretário: Manduca. 
Gordo Portela (PDT) e Jorge Rigon (PP): líderes de 
bancada. 
Durante a concorrida cerimônia de posse dos eleitos aos poderes Executivo e Legislativo municipais, realizada no dia 1.o de janeiro, no Salão Paroquial, a escolha da Mesa Diretora da Câmara de Vereadores para o ano de 2013 foi dominada pelo bloco de oposição, formado pelo PDT e pelo PP, para desapontamento do PT, que desejava uma aliança com os trabalhistas que lhe garantisse a governabilidade e o isolamento do PP. No entanto, ambos os partidos foram coerentes e mantiveram a aliança que disputou as últimas eleições.

Na votação, que teve o resultado de 6 x 3 para o bloco PDT-PP, foi vencedora a chapa encabeçada pelo experiente vereador trabalhista Sebastião Jesus Dorneles de Lourenço (Bastião), veterano de quatro mandatos, que tinha como vice o persistente vereador Luiz Carlos Portela Machado, que chegou ao legislativo na quarta disputa eleitoral. A primeira secretaria será ocupada pela vereadora progressista Cledi Terezinha Caetano (Cleda), eleita na sua segunda tentativa e pelo trabalhista Carlos Ariovaldo Martins Ribeiro (Manduca), reeleito para seu segundo mandato consecutivo. A chapa de situação, encabeçada pelos novos vereadores petistas Everton Ferreira Gonçalves (Negrinho) e Manoel Augusto da Silva (Biano), ficou apenas com os três votos possíveis de sua bancada.

Marion (líder da bancada), Everton e Biano: a bancada governista do PT.
Os vereadores Everson Carvalho Portela (Gordo Portela), reeleito pelo PDT, e Jorge Milton Soares Rigon (Jorginho Rigon), reeleito pelo PP, serão os líderes das bancadas dos seus respectivos partidos. Os discursos de ambos foram significativos na sessão solene de posse dos eleitos. Jorginho Rigon fez referência à fidelidade partidária, numa clara alusão ao grupo da ex-prefeita Ione, que apoiou o PT. Gordo Portela anunciou que será parceiro do governo José Grosso naquilo que for justo e de interesse da comunidade, mas deixou bem claro que integra, junto com seu partido, o bloco de oposição formado com os colegas do PP. Foi uma forma de deixar bem claro que, apesar da boa relação com o prefeito José Rubem, construída ao longo da vereança de ambos, tem luz própria e não se prestará à vassalagem.

Comentários do Blog:
  • A oposição demonstrou claramente que, ao contrário das especulações dos últimos dias, que diziam até de um suposto acordo secreto com o governo, desde que a prefeita Ione ficasse de fora da gestão de José Rubem, está unida e em sintonia. É um recado para o Executivo não mandar para a Câmara projetos  imorais ou contrários ao interesse público porque não serão aprovados. 
  • É salutar que os poderes Executivo e Legislativo não tenham o mesmo alinhamento político-partidário. Dessa forma, com cada grupo comandando um poder, ambos se exigem mutuamente e ganha a comunidade, que não será vítima de excessos nem de um nem de outro.
  • O prefeito José Rubem, quando vereador, foi um bom fiscal do Executivo. Agora, será ele o fiscalizado, vivenciando o ambiente situacionista. É de se esperar que saiba lidar bem com as críticas que eventualmente possam surgir ao seu governo, tal como as que fazia à então prefeita Ione, antes da reconciliação de ambos.


sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

POR QUE A IONE FICOU DE FORA? EIS UMA HIPÓTESE:

Corre na Dez de Abril um boato de que a exclusão da prefeita Ione do primeiro escalão do prefeito eleito José Rubem poderia ser uma jogada estratégica para convencer a bancada de oposição na Câmara de Vereadores a aprovar projetos de interesse do futuro governo, que prometem ser bem polêmicos. Nesse caso, a prefeita seria a moeda de troca com que José Rubem e seu governo namorariam a oposição, que terá exatamente o dobro de cadeiras da futura bancada de situação.

Teria o futuro governo um acordo secreto com a bancada de oposição?
Foto: TSE.
Entre os projetos polêmicos que possivelmente irão à votação no Poder Legislativo em 2013 está o novo plano de carreira dos professores municipais, adequado à Lei de Diretrizes e Bases da Educação - LDB (Lei 9.394/1996), cuja aprovação já foi rejeitada outras vezes e está sob cobrança constante do Ministério Público estadual. Também sabe-se que o prefeito José Rubem prometeu fazer uma reestruturação no quadro de cargos, o que mexe com os interesses de muita gente e é um assunto muito delicado.

Deixar a prefeita Ione de fora do futuro governo
 pode ter sido manobra para negociar com a oposição.
Foto: Rafael Nemitz
Também há comentários de que o Poder Executivo mandaria à Câmara um projeto de aumento de salário para alguns cargos técnicos (especialmente Chefe de Gabinete e Assessor Jurídico), a fim de viabilizar a permanência dos mesmos em Itacurubi, pois os atuais salários seriam quase inviáveis para quem tem que vir de fora do município e se manter na cidade. Nesse caso, fazer economia em umas pontas e aumentar em outras, na própria folha de pagamento, seria uma grande incoerência administrativa, cuja anuência do Legislativo somente se daria por razões muito fortes. A manutenção da prefeita Ione, inimiga política figadal da maioria dos vereadores da futura oposição, fora do governo, seria uma dessas razões.

Se tudo isso for verdade, eis aí uma das razões para a confiança do prefeito eleito de que terá boa relação com o futuro Legislativo a ponto de aprovar os projetos que pretende.

Comentários do Blog:
  • Pelo que se conhece do perfil dos atuais e futuros vereadores, não é de se acreditar que sejam capazes de se prestar à negociatas por debaixo dos panos.
  • Também é algo inconcebível que o prefeito eleito, que sempre se pautou por uma conduta ética, tenha  feito uma proposta dessa natureza à oposição.
  • Da oposição espera-se coerência e discernimento para aprovar as propostas que forem de interesse da comunidade e reprovar o que for contrário ao bem-comum. Para isso existe o Poder Legislativo e é saudável que a oposição detenha a maioria das cadeiras. Isso evita 'patrolamentos' por parte do Poder Executivo e previne muitos desmandos, em prejuízo da comunidade.
  • O que pode ter acontecido é simplesmente a adoção de uma atitude previdente do futuro governo, deixando a prefeita Ione de fora para não iniciar o mandato com a antipatia da oposição, tendo no  primeiro escalão uma inimiga política ferrenha do bloco majoritário. 
  • Entretanto, o poder é uma mosca azul  suscetível de picar aos seus detentores logo após eles o terem alcançado. Assim, ficaremos de olho em futuros projetos da natureza dos que foram aqui tratados. Se existirem ou vierem a existir, então, a fumaça que corre na Dez de Abril pode ser, sim, indício de fogo.